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A prisão e a ágora: Reflexões em torno da democrat - Reflexões em torno da democratização do planejamen

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A Prisão e a Ágora, novo livro de Marcelo Lopes de Souza, versa sobre planejamento urbano, mas não do ponto de vista da adequação dos usos do solo ou da estética das paisagens — não propriamente inúteis em si mesmas, mas tão amiúde a serviço da segregação, do controle social e da alienação —, e sim das relações de poder inscritas no espaço e implicadas na produção do espaço. Planejar e gerir uma cidade não significam, apenas, planejar e gerir coisas, mas sim, acima de tudo, planejar e gerir relações sociais. Seja para amenizar o embrutecimento representado e condicionado pelas cidades atuais, seja para conquistar cidades substancialmente diferentes e mais justas, é preciso refletir e agir levando em conta o que mais importa: a dinâmica das relações sociais, em especial a dinâmica das relações de poder, e os vínculos disso com o espaço, na sua dupla qualidade de produto e condicionante das relações sociais. A escala local, certamente, é privilegiada na análise, mas privilégio não quer dizer exclusividade: os problemas que se manifestam localmente não se deixam explicar somente por fatores de abrangência local, e vencer desafios locais depreende, cada vez mais, saber enfrentar desafios também em outras escalas. A Prisão e a Ágora trata, pragmaticamente, tanto da falta de liberdade e as restrições crescentes à liberdade efetiva, no cotidiano das grandes cidades contemporâneas (metáfora da “prisão”), quanto das possibilidades de se tentar ampliar os espaços democráticos mesmo em meio a condições estruturais adversas, embora contando com ventos conjunturalmente favoráveis. Mas não se quer, aqui, ser um mero “consultor para desenvolvimento com horror mínimo”, quimera de um “progressismo” de curto fôlego e ainda mais curta visão. Não se perde de vista um horizonte utópico por se tentar ser, também, pragmático; não se deseja confundir estratégia e tática, estrutura e conjuntura, longo (ou longuíssimo) prazo e curto prazo. Repetindo as palavras com as quais se encerra a Conclusão do livro, “fica a pergunta derradeira, para todos aqueles envolvidos com o estudo, o planejamento e a gestão das cidades: com o que se vai querer colaborar — com a legitimação e a produção das ‘prisões’... ou com a construção das novas ‘ágoras’ e de um mundo que as torne possíveis?...”.

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